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A contabilidade mental e o descontrole das finanças pessoais
14/05/2018 - por Luiz Antonio Barbagallo

Imagine um jovem e seu sonho de consumo: um automóvel. Não possuindo o valor total para a compra à vista, financia o veículo tendo como fator de decisão a capacidade de pagamento das parcelas. Não se atenta para as taxas de juros e demais custos envolvidos no financiamento, tais como os impostos embutidos na operação, por exemplo. Considerando ainda outras variáveis, às vezes atrativas como o pagamento da primeira parcela para 60 ou até 90 dias da operação, o cálculo da taxa efetiva de juros por parte deste jovem será uma hipótese pouco provável. Essa situação lhe pareceu familiar?

Ao simplificar a forma de decidir, sem uma análise racional da operação que considere todas as variáveis, o feliz futuro proprietário do veículo está decidindo com base na contabilidade mental.

Richard H. Thaler, criador da teoria da contabilidade mental, coloca em cheque as teorias econômicas que sustentam que o indivíduo toma decisões de forma racional, colocando na balança os custos e benefícios. Adicione-se a isso a pouca alfabetização financeira de muitos indivíduos, temos um quadro de descontrole financeiro de grande parte da população.

Minha dissertação de mestrado, defendida em 2016, cujo título é: “Conhecimento e comportamento financeiros de jovens adultos: um estudo com alunos de faculdades da cidade de São Paulo” aborda essa questão de uma forma ampla. Fruto de um estudo com 419 estudantes de seis faculdades de São Paulo, com idades que variavam de 18 a 35 anos, o trabalho procurou entender quais os fatores que influenciam as pessoas em suas decisões financeiras.

O estudo procura explicar as relações dos perfis socioeconômicos e da análise do nível de conhecimento financeiro com o comportamento dos jovens nas decisões relativas a empréstimos de alto custo, formação de reservas e planejamento para aposentadoria.

Na revisão da literatura são citados diversos trabalhos realizados em vários países, e os resultados apresentados, em vários aspectos, são similares entre si e em relação à minha dissertação. Deficiência em conceitos básicos sobre cálculos de juros, inflação e risco mostra que o baixo nível de alfabetização financeira dos participantes das pesquisas tem fundamental importância nos resultados obtidos.

Para a formulação de indicadores de alfabetização financeira diversos estudos aplicam questionários. Lusardi e Mitchell (2008) foram uma das pioneiras, e suas três perguntas básicas são adotadas em muitos trabalhos subsequentes. Descritas abaixo, a primeira pergunta avalia a capacidade de fazer cálculos de juros, a segunda envolve a compreensão da inflação e a terceira procura medir a compreensão sobre diversificação de risco.

1 – (Juros) - Suponha que você tinha US$ 100 em uma conta poupança e a taxa de juros foi de 2% ao ano. Após cinco anos, quanto você acha que teria na conta se você deixou o dinheiro para crescer? (   ) Mais de 102 dólares; (   )Exatamente 102 dólares; (   ) Menos de 102 dólares.

2 – (Inflação) - Imagine que a taxa de juros em sua conta poupança foi de 1% ao ano e a inflação foi de 2% ao ano. Após um ano, quanto você seria capaz de comprar com o dinheiro dessa conta? (  ) Mais do que hoje; (  ) Exatamente o mesmo; (   ) Menos do que hoje

3 – (Risco) - Responder se esta afirmação é verdadeira ou falsa: "A compra de ações de uma única empresa geralmente proporciona um retorno mais seguro do que um fundo mútuo de ações”. (   ) Verdadeiro; (   ) Falso

No estudo de Lusardi e Mitchell (2008), com uma amostra de 501 mulheres, cujo objetivo foi verificar sua alfabetização financeira, foi constatado que apenas 29% responderam as três perguntas corretamente. Utilizando o mesmo conjunto de perguntas para uma amostra representativa da população jovem dos EUA, Lusardi, Mitchell e Curto (2010) constataram que pessoas na faixa etária entre 23 e 28 anos, exibiram pouco conhecimento em juros compostos, inflação e diversificação de risco.

Para a realização do estudo elaborei um questionário contendo 22 perguntas, sendo 7 de cunho socioeconômico (Idade, gênero, estado civil, renda, número de filhos, escolaridade e moradia); 5 relativas aos conhecimentos financeiros; 2 perguntas subjetivas onde os alunos se autoavaliam em matemática e finanças e 8 perguntas relacionadas aos comportamentos financeiros dos jovens.

Os principais resultados mostraram que 42% dos inquiridos utilizam ou já utilizaram empréstimos de alto custo. Considerando que esses empréstimos cobram elevadas taxas de juros, isso deve ser objeto de preocupação. Mostra ainda que apenas 37% possuem alguma reserva para emergências, tais como problemas de saúde ou desemprego, e pouco menos da metade, 49%, tem algum tipo de planejamento para aposentadoria que não seja a oficial.

Com relação ao conhecimento financeiro dos inquiridos, 88% responderam corretamente a questão sobre juros para um período. No entanto, ao aumentarmos um pouco o grau de dificuldade, com uma questão de juros capitalizados em 5 períodos, o percentual de acerto cai para 45%. Para a questão sobre inflação o percentual de acertos foi de 71%, Um dado preocupante é que apenas 27% responderam corretamente todas as cinco questões, o que mostra o baixo índice de conhecimento financeiro dos inquiridos.

Os resultados encontrados mostram que o nível de conhecimentos financeiros dos jovens estudantes universitários é baixo, pois da amostra apenas 27% responderam corretamente todas as questões.

As variáveis socioeconômicas, renda, nível de ensino e tipo de curso frequentado mostraram-se estatisticamente significativas favoravelmente para educação financeira. Da mesma forma foi verificado para os comportamentos financeiros relacionados a empréstimos de alto custo, poupança para emergências e planejamento para aposentadoria. A variável “classificação das instituições de ensino no MEC”, diferencial do trabalho, mostrou-se estatisticamente significativa tanto para conhecimento quanto para comportamento financeiro, pois os alunos de instituições de ensino mais conceituadas obtiveram melhores resultados.

Os resultados indicam a influência do conhecimento financeiro no comportamento financeiro dos jovens adultos, destacando a importância da educação financeira entre eles. Sugere, de acordo com os resultados relacionados ao nível de educação, que além da promoção da educação financeira, a melhora do nível geral de ensino no Brasil é fundamental para a formação de cidadãos conscientes e aptos a tomar decisões financeiras mais racionais, sem a utilização da contabilidade mental.

 
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