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Crise na empresa: uma questão interna
30/11/2015 - por Carlos José Pedrosa

Com tantas situa??es de crise atingindo empresas de diversos ramos de neg?cio, grandes e pequenas, no Brasil e em outros pa?ses ? inclusive no primeiro mundo, chega-se a imaginar porque isso acontece, ? o mesmo que perguntar por que as pessoas adoecem, dizer que ? porque existem germes que as contaminam, ser? uma defini??o simplista.

 

O correto ser? dizer que seus organismos enfraquecidos s?o incapazes de gerarem defesas e n?o conseguem reagir ? presen?a desses germes; a? sobrev?m ? doen?a, de igual modo, podemos dizer que as empresas adoecem porque seus organismos ? seus corpos funcionais ?n?o conseguem reagir aos fatores internos e externos que as atingem, a? que as empresas adoecem, isto ?, entram em crise. Consideremos que as empresas, como pessoas jur?dicas, s?o fundadas, organizadas e operadas por pessoas f?sicas.

 

As pessoas jur?dicas n?o existem sem as pessoas f?sicas, que lhes d?o vida e fazem-nas funcionar, at? mesmo quando uma a??o judicial chega ao Supremo Tribunal Federal, ainda que movida por alguma pessoa jur?dica, s?o as pessoas f?sicas que se entendem. No ?mbito das organiza??es, sejam p?blicas ou privadas, as pessoas f?sicas levam todas as suas qualidades morais, seus conceitos, suas fraquezas, defeitos e virtudes, as empresas alcan?am um desempenho que ? o desempenho das pessoas e n?o h? como separar, porque se as fun??es e os sistemas s?o impessoais, o exerc?cio dessas fun??es ? marcado pelas caracter?sticas pessoais.

 

Como essas caracter?sticas variam, n?o h? um padr?o que permita conferir uniformidade ? atua??o das empresas, as empresas funcionam de cima para baixo, a id?ia de uma empresa supostamente democr?tica, que funcione por consenso, ainda n?o passa de pura ilus?o e certamente continuar? assim por muito tempo.

 

A responsabilidade pelo bom ou mau desempenho ? sempre do homem de cima, a quem cabe a supervis?o dos demais, quando as vendas v?o mal. Demitirmos os vendedores ser? uma medida temer?ria, se as coisas se normalizarem, tudo bem, caso contr?rio, em breve o supervisor de vendas poder? seguir o mesmo caminho e depois o gerente de vendas, o diretor e em pouco tempo talvez o vice-presidente de vendas, isso se a empresa n?o tiver ido ? fal?ncia.

 

N?o pode haver uma estrutura paralela de poder, mas quando a empresa ? cheia de parentes e aderentes muito deles incompetentes, ? dif?cil evitar o caos, a origem da crise tamb?m desperta interesse, ?s vezes ? uma crise cong?nita: nasceu com a pr?pria empresa, n?o se deve entrar em um neg?cio ?s cegas, sem antes proceder a um estudo de mercado, ? preciso estudar a localiza??o do mercado, caracter?sticas e prefer?ncias do consumidor, pre?os, concorr?ncia, prazos, riscos envolvidos e uma variedade de informa??es que permitam ao empreendedor conhecer a amplitude das for?as competitivas com as quais se defrontar?.

 

Muitas vezes uma empresa ? fundada e se lan?a no mercado sem nenhum estudo pr?vio, apenas confiado no ?olh?metro? do dono, um estudo de viabilidade ser? um instrumento ?til na determina??o dos rumos a seguir: fundar a empresa ou mudar o projeto para um outro neg?cio, que seja realmente vi?vel, como a motiva??o do pessoal tamb?m precisa ser analisada, n?o ? raro encontrar empres?rios para quem os empregados s?o como m?quinas, que podem ser descartadas a qualquer momento, n?o h? uma forma de incentivo, nada que os leve a vestir a camisa da empresa.

 

?s vezes nem mesmo cal?ar a meia da empresa, muito menos vestir a camisa, os empregados n?o se sentem propensos a lutar pelos bons resultados, dessa maneira, ? mesmo dif?cil produzir alguma coisa positiva, a vis?o do empres?rio muitas vezes oculta a origem dos problemas. Freq?entemente os problemas s?o vistos, mas em outros lugares, ? o que se pode chamar de miopia empresarial cong?nita, a qualquer sinal de crise, demite-se para enxugar o quadro de pessoal, quando talvez a solu??o fosse aumentar as vendas, pede-se aos gerentes para selecionar os que entrar?o no corte, eles selecionar?o tudo e todos, menos eles mesmos.

 

N?o querem colocar o pr?prio pesco?o na guilhotina, mas colocam o dos outros. Certamente eles s?o perfeitos ??! Dif?cil ? quando o pr?prio empres?rio ? a crise, pode parecer uma ocorr?ncia rara, mas nem tanto.

 

Conheci no Recife, uma empresa de porte m?dio, fabricante de prensas, balan?as, guilhotinas, e outros, inclusive tinham fornecido grande parte da bateria de m?quinas para uma ind?stria automobil?stica que se instalou no Brasil no come?o dos anos 70, recebia incentivos da SUDENE, mas vivia numa profunda crise, para equacionar a situa??o, o primeiro a ser afastado deveria ser... O pr?prio presidente.

 

Quando alguma parcela de recursos era liberada pela SUDENE, ele ia ao banco e zerava a conta. Atrav?s de artif?cios na contabilidade, conseguia esconder a falcatrua, seu patrim?nio, inclusive na It?lia, cresceu cada vez mais, n?o foi surpresa quando a Receita Federal empreendeu uma fiscaliza??o rigorosa e ele junto com o contador, ficou impedido de se afastar do Recife sem autoriza??o judicial. No in?cio dos anos 80 ? empresa fechou as portas, algo parecido com o que aconteceu a certo banco na Bahia e a outro em Minas Gerais, dessa maneira, n?o h? empresa que resista a uma crise, nem mesmo um banco.


A contabilidade que ? o c?rebro da empresa reflete uma realidade din?mica, muitas vezes os sinais de alerta s?o emitidos, mas n?o s?o percebidos a tempo de se evitar o desastre. A Lake Airways, por v?rios anos foi uma das mais ativas empresas de avia??o comercial dos Estados Unidos, mergulhada em muitas dificuldades, terminou fechando as portas, entretanto, uma an?lise do DOAR - Demonstrativo de Origens e Aplica??es de Recursos, nos ?ltimos cinco anos, mostraria que o sinal vermelho estava aceso e n?o foi levado em considera??o, o desastre poderia ter sido evitado.

 

Nesse emaranhado de problemas quase sempre camuflados, procura-se a todo instante uma luz no fim do t?nel, essa luz poder? ser acesa atrav?s de um diagn?stico, a decis?o de realizar um diagn?stico decorre sempre da exist?ncia de problemas. A empresa que enfrenta dificuldades ser? evidentemente, um dos objetivos priorit?rios de um diagn?stico, deste modo, ? um instrumento insubstitu?vel para colocar em evid?ncia toda desarmonia entre as estruturas da empresa ou entre a empresa e a realidade s?cio-econ?mica na qual sua a??o se desenvolve.

 

O diagn?stico n?o ? um modismo passageiro nem ? coisa nova, ? o ?nico instrumento que fornece uma vis?o global e din?mica da empresa, habilitando o empres?rio a obter uma radiografia clara, simples e precisa do conjunto do seu neg?cio, atrav?s desse diagn?stico encontraremos as respostas para as perguntas, sempre as mesmas, que n?s nos fazemos praticamente todos os dias. Que poderia ter feito ? empresa? Que pode fazer? Que quer fazer? Que dever? fazer? Tenho realmente vontade de agir? O clima da empresa admite tal interven??o?

 

A maior oposi??o a um diagn?stico surge sempre entre aqueles que temem perder privil?gios, entretanto, o que est? em jogo n?o ? a manuten??o de privil?gios: ? a continuidade da empresa, cabe ao empres?rio decidir o que deseja: recuperar a empresa ou deixar que seja destru?da pela crise.

 

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