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Ensaio sobre a Lágrima
23/11/2016 - por Tom Coelho

"Chora, Tistu, chora. É preciso. As pessoas grandes não querem chorar, e fazem mal, porque as lágrimas gelam dentro delas, e o coração fica duro."
(Maurice Druon, em "O Menino do Dedo Verde")

Sempre apreciei a expressão "olhos marejados". É, para mim, de uma beleza plástica incrível. Os olhos, as "janelas da alma". E o mar, com seu ir e vir das ondas.

Olhos marejados são assim. Lágrimas que pensam em deixar o conforto dos olhos, mas que se retraem como quem diz: "Ainda não é hora" ou "Ainda não posso me desnudar".

A lágrima revela tudo. Insólita por natureza carrega consigo dor, tristeza, alegria, emoção. A lágrima marejada se contém em si mesma. Ela é suficiente para cobrir toda a superfície ocular. Faz os olhos brilharem, refletindo a transparência da alma.

Hospitais são locais onde se tratam pessoas doentes. Construções de paredes sólidas e áridas, brancas e gélidas. Uma arquitetura onde o calor naturalmente se dissipa e onde as vozes ecoam assustadoramente - assim como as rodas e rodízios das cadeiras e macas que perambulam pelos corredores.

Acho que um dia alguém metido a "marketeiro" passou por um hospital e percebeu que ali faltava algo. Resolveu, então, colorir as paredes das alas de pediatria, instalar uma capela no térreo e criar um banco de sangue. Tudo isso para humanizar aquele ambiente. Porque o que lhe faltava era vida.

Ao contrário do que se faz supor, hospitais, e aqui excluo as maternidades, são moradas não da saúde, mas da doença. A saúde reside no sorriso maroto de uma criança, nas árvores que florescem na primavera, na conjunção erótica dos amantes. Nos hospitais, habitados pela doença, a morte espreita, vagando livremente, rindo-se sarcasticamente do sofrimento de internos e familiares.

Os profissionais - médicos, enfermeiros e assistentes - aprendem a ser heróis sem coração. Heróis porque lutam contra a engenhosidade ardilosa da doença que busca refúgio nos recônditos da complexidade do corpo humano, procurando dificultar o trabalho de sua descoberta. É um jogo de caça, de esconde-esconde, no qual o bem luta para triunfar enquanto o mal, uma vez instalado, dá-se por vitorioso desde o início, nada tendo a perder.

Entretanto, por atuarem numa batalha tão desigual, muitas vezes patrocinada pelo despreparo, pela desqualificação ou pela desestrutura, estes heróis aprendem a dominar suas emoções. Afinal, são tantos dias, dias após dias, horas e mais horas, enfrentando as adversidades, testemunhando a amargura velada ou silenciosa de seus pacientes, acompanhando o desespero e, por vezes, o destempero de familiares - que transitam com suas faces avermelhadas e seus óculos escuros, e não em decorrência do esplendor do sol -, que tudo aquilo se torna rotineiro. Cena do cotidiano.

Quando seu time de futebol vence uma partida, você fica feliz. Até esfuziante. Cada gol é comemorado como se fosse único. Mas se a equipe se torna imbatível, as conquistas perdem o sabor, porque se tornam previsíveis. A felicidade vira alegria. A alegria vira desdém. Assim ocorre com a maioria dos médicos. A sensibilidade se esvai, por hábito e por dever de ofício. E eu os respeito por isso. Porque não seria capaz de fazê-lo. Por isso tomei como profissão a mente e não o corpo das pessoas. Por isso fiz de um lápis, uma caneta ou um teclado meu próprio bisturi.

Numa manhã fria e cinzenta de novembro, minha mãe nos deixou. Não nos faltou empenho. Não nos faltou solidariedade. Não nos faltou fé. Só nos falta ela.

Os olhos já não estão mais marejados. Porque as lágrimas decidiram que era hora de se despir e ganhar o mundo. Tomaram formatos e feições diversas, algumas discretas como o orvalho da manhã, outras intermitentes como garoa paulistana.

Os céus, em sintonia, harmonia e deferência, também derramaram suas lágrimas, através da chuva que, misturada às lágrimas, anunciava a purificação, a renovação e a mensagem de que a vida segue.

 
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