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Humildes Vencedores
15/09/2003 - por Antonio Carlos A. Telles

São muitos os caminhos para o sucesso. E é paradoxal, como o próprio sucesso. A humildade, por exemplo, se reconhecida e explorada como uma "força", e não como uma "fraqueza", pode ser um elemento-chave para a formação do tipo de Líder que o planeta necessita urgentemente. Em "Construindo Um Mundo Onde Todos Ganhem", Hazel Handerson, que é consultora do Calvert Social Investment Fund e membro do World Business Academy, afirma que "devemos aprender humildade se quisermos encarar as complexidades que criamos" e destaca a "animada arrogância" que domina "algumas de nossas concepções de direção e administração."

Sem humildade, é impossível reconhecer as oportunidades de melhoria, já que a arrogância se baseia na crença de que não se necessita melhorar" reforça Fredy Kofman-que trabalhou com Peter Senge e é professor da Sloan School of Management do MIT-Massachussets Institute of Technology. A arrogância (de acreditar ou pretender que "já sabe") aparece em sua lista de dez "inimigos do aprendizado". Um ditado dos índios navajos diz que “é impossível despertar um homem que finge estar dormindo".

Humildade é uma das 45 virtudes analisadas por Robert Solomon - consultor em ética empresarial, em sua obra "A Melhor Maneira de Fazer Negócios - como a integridade leva ao sucesso corporativo" (1999). Ele diz que na filosofia chinesa a palavra que designa "virtude" (Te, em chinês) também é entendida como "potência". Para Aristóteles a virtude é o meio-termo entre o "excesso" e a "deficiência" de um traço característico da natureza humana. Segundo Solomon humildade seria resumidamente “não pensar de maneira excessivamente elevada sobre si mesmo e procurar dar crédito aos outros quando for pertinente". Quando em excesso é autoflagelo, humilhação. Havendo deficiência é arrogância, falso orgulho, autoritarismo, atrevimento.

Existiriam afinal evidências concretas de que a humildade é uma virtude relevante e pertinente para a gestão eficaz e o sucesso das organizações?

O modelo Líder Nível 5 analisado na obra "Feitas Para Vencer" (2001) pode ajudar a responder essa indagação: um indivíduo que alia extrema humildade pessoal a uma firmevontade profissional. Este foi um dos resultados de um projeto de 15 mil horas de trabalho, que duraram cinco anos (1997-2001), com uma equipe de 21 pessoas, coordenado por Jim Collins- ex-professor da universidade de Stanford e co-autor de Feitas para Durar (1995). Segundo os parâmetros de excelência definidos na pesquisa apenas onze empresas puderam ser selecionadas da lista das "500 Mais" da revista Fortune, considerando-se um período de 30 anos - entre 1965 e 1995. Foram analisadas 1.435 empresas.

Segundo Collins o estilo de Liderança Nível 5 "vai contra os ditames do senso comum -particularmente contra a crença de que precisamos de salvadores da pátria com personalidades fortes para transformar as organizações". Comentando essa pesquisa, Peter Drucker, exaltado freqüentemente como "pai da administração moderna", diz que ela "põe em descrédito a maioria dos modismos gerenciais, como o culto do CEO super-homem."

Mas, quando aqui lançamos um olhar sobre a humildade mais como "força" do que como "fraqueza", não é a ausência ou presença de determinado tipo de brilho ou magnetismo na personalidade que nos interessa ressaltar. Numa civilização, em que a supervalorização da "aparência" muitas vezes impede a valorização da "essência" o resgate da humildade como uma força é algo promissor. Entretanto, precisamos ter os "olhos de ver", como já aconselhava há 2000 anos o sábio líder espiritual Jesus, pois uma pessoa aparentando modéstia pode ser extremamente arrogante. Da mesma forma, o carisma de um líder não o impede de ser humilde.

O grande líder político brasileiro Juscelino Kubitscheck é um exemplo. Na obra "JK -O Artista do Impossível" (2001) de Cláudio Bojunga- diretor de Jornalismo da TV Educativa, o filólogo e dicionarista Antônio Houaiss (eleito presidente da Academia Brasileira de Letras em 1995), que trabalhou na documentação presidencial, traça um perfil de JK: "um homem aberto, auditivo... Recebia informações novas e as incorporava de forma permanente, redisciplinando seu espírito. Ficava grato a quem lhe trouxesse ângulos inesperados. Não tinha preconceitos ideológicos: ouvia adversários e opiniões discordantes. Tratava com assessores diretos um diálogo democrático e solto: ficava ouvindo em silêncio posições divergentes dos auxiliares, confiando mais nas objeções do que no louvor direto."

Assim, a identificação da força da humildade está mais na "essência" do que na "aparência". Além disso, há um aspecto paradoxal e binário inerente ao conceito de humildade como força. Por um lado, significa reconhecer a própria "pequenez" (limitações). Por outro lado, significa auto-afirmação - reconhecer a própria "grandiosidade" (imensas potencialidades). Os humildes vencedores são aqueles que buscam o equilíbrio entre essas tendências opostas e complementares. Eles aprendem continuamente. Aprendem a "gostar do que fazem", mas buscam a própria vocação para "fazer o que gostam". Numa entrevista concedida à imprensa em 1984, o grande poeta Carlos Drummond de Andrade disse que não se sentia propriamente um escritor , mas uma pessoa que gosta de escrever.

A humildade como princípio ético de gestão é um diferencial para os líderes do futuro, pois o sucesso duradouro das organizações dependerá de sua capacidade de valorizar a cooperação e as pessoas que saibam vencer a si mesmas.

 
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